Por Thiago Gaudencio
Reter talentos nunca foi tão desafiador. A competitividade do mercado e a escassez de profissionais qualificados em determinadas áreas acirram a disputa pela atração e fidelização de bons times ao mesmo tempo que fazem com que muitos se abram a novas oportunidades quando não se sentem reconhecidos ou devidamente recompensados, financeiramente, pelo seu desempenho interno. E, na dúvida entre o ficar ou sair, usar a oferta como argumento para negociar melhores condições na empresa atual se tornou uma prática frequente, mas, nem sempre, benéfica.
A decisão de participar de um processo seletivo, para aqueles que já estão empregados, precisa levantar alguns questionamentos importantes do porquê está buscando uma outra oportunidade. Por que está insatisfeito? Desejando uma vaga mais aderente aos seus objetivos de carreira? Ou, talvez, um cargo maior com uma remuneração mais adequada?
Via de regra, quando uma pessoa é provocada nesse sentido, é natural que haja uma expectativa de incremento salarial – o que, de fato, acaba ocorrendo na maioria das vezes, junto a uma ampliação de seu escopo de trabalho. O problema não está em buscar por essas condições melhores, mas nos casos em que falta transparência pela forma na qual orquestra esse processo entre a empresa atual e a nova contratante.
É aqui que vemos o leilão, quando o profissional apresenta a proposta a seu gestor, abrindo espaço para uma contraproposta, mas, nem sempre, tem os entregáveis necessários para argumentar seu desejo de um aumento salarial. O resultado dessa falta de visão é esperado: em cenários de reestruturações, pode ser a primeira pessoa a ser desligada da empresa. Ou, em momentos de promoções, não seria a primeira cogitada a subir.
Prova disso está em um levantamento da Gitnux, que identificou que cerca de 52% dos profissionais que aceitam uma contraproposta acabam saindo da empresa dentro de seis meses. A falta de ética e transparência nesse processo, se utilizando de uma oferta de outra empresa para alavancar o salário atual, sem que tenha o necessário para justificar o aumento, pode acabar prejudicando não apenas a continuidade na organização como, acima de tudo, sua imagem e reputação no mercado.
Negociar condições salariais nesse contexto não é uma boa estratégia, uma vez que acaba abrindo muita chance de que percam oportunidades reais de crescimento e desenvolvimento em suas carreiras. A recomendação é que, antes de iniciar qualquer processo seletivo, cada profissional pense o que faria caso fosse aprovado, se estaria disposto a sair do emprego atual e sob quais condições – sempre se lembrando que os prejuízos podem ser muito maiores do que qualquer benefício aparentemente positivo em uma primeira visão.
Qualquer atalho movido pela pressa em busca de uma melhor oportunidade pode custar bem caro no final. Mesmo que o aumento salarial seja merecido, este processo precisa ser conduzido de forma ética e correta, para que nenhuma das partes seja prejudicada. Afinal, quando um profissional coloca sua reputação em xeque, o que realmente está em jogo?
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